Os brasileiros descobrem os prazeres do vinho
Visualizado 685 vezesO consumo de vinhos no Brasil registrou um crescimento expressivo nos últimos anos. Segundo dados da Uvibra (União Brasileira de Viticultura) subiu de 49 milhões de litros em 2002 para 70 milhões em 2006. O consumo em 2006 foi de 1,8 litros de vinho per capita, o que demonstra que ainda há margem para crescimento, uma vez que países como Portugal, França e Itália, consomem 45, 50 e 60 litros por pessoa/ano respectivamente.
O crescimento do consumo no país é facilmente perceptível pelo aumento do número de feiras, cursos, eventos e do consumo de livros especializados em vinhos. Multiplicam-se os grupos de aficionados – as confrarias – que se reúnem para aprender sobre a bebida e degustá-la. Foram lançadas dezenas de publicações sobre o vinho nos últimos tempos. Há dois anos, uma respeitada editora lançou uma enciclopédia sobre vinhos que vendeu 100 mil exemplares. É importante salientar que o livro custava R$ 120,00, e mesmo assim obteve um resultado extraordinário para o mercado livreiro nacional.
Hábito
Até bem pouco tempo, tomar vinho era um hábito restrito a pessoas viajadas e endinheiradas, com paladar e hábitos refinados. Havia também uma certa dose de esnobismo. O universo ao redor da bebida era repleto de rituais sofisticados e de um vocabulário específico utilizado apenas por entendidos. Hoje, palavras como encorpado, amadeirado, aroma de frutas vermelhas, licoroso, tostado, rubi, persistente são entendidas naturalmente por muitas pessoas que consomem vinhos. O consumo de vinhos no Brasil não aumentou apenas em quantidade, mas também em qualidade. O valor médio que cada consumidor gasta por garrafa de vinho subiu cerca de 50% nos últimos 5 anos.
Produção
A produção mundial também mudou muito. Os vinhos produzidos no chamado Novo Mundo (EUA, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, Argentina, Chile, Uruguai e Brasil) conquistaram grande parte do mercado consumidor, com produtos mais baratos, frutados, amadeirados e mais fáceis de beber, facilitando o consumo do degustador iniciante.
Os brasileiros descobriram esse delicioso prazer e estão ampliando a cada dia o aprendizado e o consumo. Estima-se que, no mercado brasileiro, existam mais de 20.000 rótulos de diferentes países à venda.
O país é hoje o 15º produtor mundial de vinhos. Cerca de 90% são vinhos simples de garrafão, mas em torno de 10% passam por processos mais sofisticados de preparo, com investimentos em técnicas, enólogos e equipamentos. A produção brasileira se concentra em Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e seu destaque está nos espumantes, que vêm obtendo reconhecimento e medalhas em competições internacionais de expressão.
Vinhofest 2008 comprova o crescimento do consumo no país
As feiras são uma excelente oportunidade para aprender, conhecer novidades e apurar o paladar. Os expositores trazem seleções variadas, apresentando uvas e preços diversos, proporcionando ao visitante a oportunidade de degustar os mais variados vinhos em apenas uma noite. A segunda edição da Vinhofest, organizada por Márcio Oliveira, professor de enologia, aconteceu de 31 de julho a 2 de agosto em Belo Horizonte. O evento, apresentou 337 rótulos de 12 países diferentes, reunindo um público de cerca de 1.000 pessoas, empresas importadoras e produtores brasileiros.
Entre os vinhos estrangeiros foram destaque na feira o excelente Vantolera 2006, um dos três melhores Sauvignon Blanc do Chile e o EQ Syrah 2004, com 91 pontos na Wine Spectator, que apresenta aromas de tostado, cacau, amoras e figo. Outro que está em sua plenitude, no melhor ponto para ser degustado, é o premiado Domus Aurea 1996, produzido com a uva Carmenère (espécie característica do Chile).
Uma surpresa é o Achaval Ferrer Quimera 2004, uva Malbec (espécie característica da Argentina), um vinho super potente na boca, mas ao mesmo tempo saboroso e fácil de beber como são normalmente os malbecs. Acompanharia uma picanha divinamente! A Vinícola Steenberg é uma das mais antigas da África do Sul – fundada em 1682 – praticamente deu inicio à produção vitivinícola local. Ela produz um refrescante sémillon.
Boas dicas em relação ao custo-benefício são o Rosso Piceno Velenosi e o Verdejo Emina. Quem gosta dos Alvarinhos portugueses, deveria experimentar também o Espanhol Albariño, Lagar de Cervera, equilibrado e aromático. Com o Sauvignon Blanc, da vinícola Hunter’s, os produtores da Nova Zelândia se lançaram para o mundo. Seu Pinot Noir é também muito elegante e fácil de beber. O Uruguai, pouco divulgado na imprensa especializada brasileira, tem alguns vinhos bem equilibrados e com um custo razoável. O Marsanne, da De Lucca, é uma ótima descoberta e harmonizaria muito bem com um salmão grelhado.
Entre os brasileiros, vale destacar o premiado Reserva Merlot e o Concentus 2004, da Vinícola Pizzato, com personalidade e boa persistência. A produtora Jane Pizzato apresentou na feira duas novidades: o Chardonnay 2007, realmente delicioso, fresco e delicadamente frutado e o 100% Alicante (uva portuguesa), safra 2004, envelhecido quatro meses em barril de carvalho e dois anos e meio em garrafa e disponível no mercado a partir de setembro.
Pizzato adiantou que, no final de 2009 terá um Merlot (seu carro-chefe), safra 2005, com um selo comemorativo, exaltando a boa colheita. A empresa exporta há 2 anos, para restaurantes de Nova York, Los Angeles, São Francisco, Genebra e Zurique e seu Merlot 1999 já foi considerado o melhor vinho do Brasil.
Fonte: Correio de Uberlândia – Uberlândia
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