Chilenos produzem vinhos orgânicos para mercado europeu
Visualizado 444 vezesA vitivinicultura é uma das principais atividades produtivas da província de Cauquenes, na região de Maule, na zona central do Chile, onde se encontra cerca de 40% dos vinhedos e parreirais cultivados no país. É neste local que se desenvolve o projeto Producción Sostenible de Vinos Elaborados Con Uvas Orgánicas para el Mercado Suizo, executado pela Sociedad Terra Orgánica Ltda, formada por um grupo de médios e pequenos viticultores que administram uma área certificada como orgânica de 96 hectares, com o plantio de variedades finas de uva como Cabernet Sauvignon, produzidos sem o uso de agroquímicos sintéticos durante o amadurecimento da uva. A experiência foi relatada pelo representante do Instituto de Investigaciones Agropecuarias (INIA), do Chile, o engenheiro agrônomo Ernesto Labra Lillo, durante o VI Seminário de Vitivinicultura da Metade Sul, promovido em Bagé e encerrado nesta sexta-feira (15). O evento foi realizado pela Emater/RS-Ascar, Comitê de Fruticultura da Metade Sul, Embrapa Uva e Vinho, Ibravin, Abfrut e prefeituras de Bagé e Candiota, no Clube Comercial.
Conforme Ernesto Labra Lillo, o objetivo do projeto chileno é contribuir para a melhoria da atual condição sócio-econômica dos pequenos e médios viticultores dessa região mediante a troca do sistema de produção orientado para um mercado específico como o suíço. “Os produtores mudaram seu sistema de produção pensando especificamente no consumidor suíço”, afirma Lillo..
O trabalho é executado com o apoio do Instituto de Investigaciones Agropecuarias (INIA), da Fundación para la Innovación Agraria (FIA), do Ministério de Agricultura do Chile e busca diversificar a produção do vinho chileno e inseri-la em novos nichos internacionais. A iniciativa faz parte de um convênio de colaboração para o desenvolvimento da agricultura orgânica no país, que existe entre o Ministério da Agricultura e o governo da Suíça, iniciado em 2005 e que se estenderá até 2009.
À parte dos seus objetivos vinícolas, segundo o acordo com a Suíça, o projeto deverá gerar impactos em quatro âmbitos. “Primeiro é social, ou seja, melhorar as condições de vida dos agricultores envolvidos e na questão econômica elevar a rentabilidade atual. No meio ambiente o objetivo é reduzir ou eliminar o uso de insumos sintéticos tóxicos; e por último, na tecnologia deverão ser incorporados novos enfoques produtivos e de novas tecnologias associadas”, explica Lillo.
Foram estabelecidos em Cauquenes três módulos de produção orgânica. “Os vinhos orgânicos Purapel da cepa Cabernet Sauvignon, Cauque da cepa País e Trile, uma mistura de ambas as cepas, foram avaliados por enólogos, distribuidores e consumidores suíços com a finalidade de determinar que tipo de vinhos serão produzidos em uma escala comercial para este mercado”, explicou o investigador chileno.
O agrônomo comenta que o projeto se iniciou com várias condições favoráveis: desenvolveu sistemas produtivos sustentáveis com ênfase em aspectos sócio-culturais e ambientais, integrou o conhecimento de vitivinicultura dos agricultores, desenvolveu-se em um clima mediterrâneo onde existem poucas pragas e enfermidades e que apresenta solos de pH médios a ligeiramente ácidos, ideais para uma agricultura orgânica deste tipo. “Atualmente o mercado de produtos orgânicos em todo o mundo paga um valor mais alto por aqueles bens que são produzidos e certificados por estas normas. No caso dos vinhos orgânicos, esta valorização pode significar um incremento na ordem de 40% do valor dos produtos convencionais”, afirma Lillo. No Chile existem mais de 1.000 hectares de viníferas cultivadas em regime orgânico, das quais cerca da metade se encontra em transição da agricultura convencional.
Fortaleza do Seival Vineyards
A programação do último dia do evento esteve centrada também na visita técnica feita pelos participantes do VI Seminário de Fruticultura da Metade Sul do RS, feita na manhã desta sexta-feira (15), ao projeto vitivinícola Fortaleza do Seival Vineyards, em Candiota, de propriedade da Miolo Group.
No local, o diretor técnico da empresa, o enólogo Adriano Miolo, apresentou os investimentos da empresa na região, desde 2001. Atualmente são cultivados 150 hectares de videiras com previsão de expansão de 400 hectares até 2018. A produção da Fortaleza do Seival Vineyards é de 600 mil litros e a expectativa até 2018, segundo Adriano Miolo, é de se chegar a três milhões de litros de vinhos/ano.
Informações
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar –Regiões de Santa Maria e Bagé
Helena Boucinha
55 9935-2636
(16.08.2008)
Fonte: www.emater.tche.br
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