Vinho nacional começa a disputar o mercado de luxo
Visualizado 108 vezesDo Valor Econômico ![]()
Depois de anos de investimentos em melhorias dos parreirais e das tecnologias de vinificação, os vinhos brasileiros de luxo, conhecidos como "superpremium", começam pouco a pouco a ganhar espaço nesse restrito e sofisticado segmento de mercado dominado pelos rótulos importados. Algumas pequenas vinícolas como a gaúcha Lídio Carraro, de Bento Gonçalves, e a catarinense Villa Francioni, de São Joaquim, já nasceram com o foco voltado para esse nicho, mas agora a tendência é reforçada por uma nova aposta da Miolo, uma das maiores empresas do setor no país.
Inspirada no modelo usado pelas vinícolas francesas, a Miolo começou a receber ontem as reservas pela internet para a primeira safra do Sesmarias, um tinto elaborado em 2008 com seis variedades cultivadas na região de Candiota, no sul do Rio Grande do Sul.
As 3 mil garrafas custam R$ 180 cada uma e serão entregues a partir de março de 2010, limitadas a uma caixa por cliente. Outras mil unidades serão vendidas na loja própria em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, no ano que vem, mas por cerca de R$ 250, disse o diretor técnico Adriano Miolo.
"Vinhos como esse são o resultado de 20 anos de trabalho das vinícolas nacionais", afirmou o presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra), Henrique Benedetti. Segundo ele, os produtos superpremium saem por mais de R$ 60 no varejo e não passam de 3% da produção brasileira, mas estão avançando. Entre as vinícolas que atuam nessa faixa, com rótulos por até R$ 120, aparecem ainda empresas como as gaúchas Salton e Don Laurindo e a catarinense Quinta Santa Maria.
Na Miolo, as vendas no segmento, que até agora reunia onze marcas com preços até R$ 70 a R$ 80 na vinícola, cresceram dez vezes desde 2002, para 300 mil garrafas por ano, e já representam de 15% a 20% do faturamento, de R$ 70 milhões em 2008.
Ao mesmo tempo, o volume total comercializado triplicou e em 2008 a produção somou 7,5 milhões de litros de vinhos e espumantes em Candiota, Bento Gonçalves e Casa Nova (BA). "Embora sobre bases menores, é o segmento que mais cresce", afirmou Adriano.
Segundo o enólogo, o Sesmarias é parte de um investimento de R$ 40 milhões feito em Candiota desde 2001, incluindo a implantação dos parreirais e da unidade de vinificação.
Só na aquisição de barricas francesas de carvalho e de equipamentos como prensas manuais, além da separação de áreas de cultivo destinadas ao novo produto, a empresa gastou cerca de R$ 1,5 milhão.
Conforme Miolo, o novo vinho é produzido desde a fermentação das uvas dentro das barricas, onde depois repousa por 18 meses até o envase.
Os parreirais destinados à elaboração do Sesmarias têm produtividade de quatro toneladas por hectare, metade da média dos demais vinhedos da empresa, para garantir maior qualidade e concentração de elementos como cor e aroma.
Safra 2009
A Miolo já preparou a safra de 2009, que será colocada no mercado em 2011 também com vendas pela internet e na loja própria. "Nossa ideia é que, assim como os franceses, o vinho adquira valor de mercado com o tempo", afirmou o diretor. Por enquanto, as vendas ficarão restritas ao mercado interno.
Com 40 hectares de vinhedos em Bento Gonçalves e Encruzilhada do Sul, no sul do Estado, a Lídio Carraro produz apenas vinhos premium (vendidos a partir de R$ 25 na vinícola) e superpremium desde que chegou ao mercado há cinco anos e meio, explicou a diretora de relações internacionais Patrícia Carraro.
Os produtos de ponta chegam a custar, como no caso de um tannat 2005 e um nebbiolo 2006, perto de R$ 190 no varejo próprio ou na loja virtual na internet e a produção dos nove a dez rótulos que compõem o segmento oscila em torno de 50 mil garrafas por ano.
Conforme o presidente da Uvibra, a venda de vinhos finos gaúchos, que representam mais de 90% da produção brasileira, aumentou 1,1% nos cinco primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2008, para 5,5 milhões de litros, enquanto os importados tiveram alta de 0,8%, para 15,2 milhões de litros. A Miolo cresceu 5,5% no semestre e espera














