Vinho acelera digestão da carne e evita formação de gordura
Folha Online
Harmonizar o vinho certo com a refeição pode melhorar o sabor e estimular a conversa. Mas será que isso realmente ajuda a digerir a comida, como sugerido por autoridades ao longo do tempo, até mesmo pela Bíblia? –"Não beba mais água, mas use um pouco de vinho para o bem de seu estômago".
Felipe Reis – 23.jan.2010/Folha Imagem

Proteína da carne vermelha suaviza as taninas do vinho e o tinto ajuda a contrabalancear substâncias potencialmente prejudiciais
Milênios depois, cientistas ainda estão trabalhando nisso. Alguns descobriram que bebidas alcoólicas aceleram o esvaziamento de alimentos do estômago e estimulam o ácido gástrico, enquanto outros sustentam que há pouco efeito. Um estudo realizado por pesquisadores alemães, publicado no jornal "Gut", pode explicar a discrepância: a pesquisa descobriu um efeito a partir de bebidas fermentadas (vinho, xerez e cerveja), mas não a partir de bebidas que eram fermentadas e também destiladas, como rum, conhaque e uísque.
"Os elementos constituintes da bebida alcoólica que estimulam a liberação de ácido gástrico e gastrina são, em sua maioria, provavelmente produzidos durante o processo de fermentação e removidos durante a destilação", diz estudo publicado no jornal.
Outras pesquisas ajudam a explicar por que o vinho tinto e a carne vermelha se harmonizam tão bem. A proteína suaviza as taninas do vinho e o tinto ajuda a contrabalancear substâncias potencialmente prejudiciais –gorduras oxidadas chamadas de MDA, ou malonaldeídos– liberadas quando a carne é ingerida.
Um estudo de 2008 descobriu que uma porção de carne vermelha de peru elevava os níveis da substância no sangue dos indivíduos participantes. Mas, quando combinada com uma taça de Cabernet Sauvignon ou Shiraz, o aumento do MDA era "completamente evitado". Ou seja, uma taça de vinho pode ajudar na digestão.
A Páscoa tem significados importantes – e diferentes – para cristãos e judeus. Religiosos ou não, todos a celebramos à mesa, com um bom vinho. O feriado traz duas lembranças imediatas relacionadas à gastronomia: peixes, em especial o bacalhau, e ovos de chocolate. São alimentos deliciosos e sofisticados, mas de difícil harmonização com vinho. O chocolate, de origem centro-americana pré-colombiana, maia e asteca, exige vinho de alta potência e teor alcoólico. Os mais lembrados são os portos, especialmente os da categoria Tawny. Os portos do tipo Ruby, que englobam os Vintage e, em parte, os LBV (Late Bottled Vintage), têm mais taninos, quando jovens, e mais fruta no aroma. Vão superbem com sobremesas à base de chocolate e frutas, principalmente as vermelhas de bosque, chamadas berries. Os franceses garantem que têm o vinho ideal para harmonizar com chocolate. Para eles, tal perfeição é atingida pelo Banyuls, um fortificado que muito se parece com um porto Ruby, embora feito com outras uvas. O Maury, também do sul da França, vai na mesma linha. A Espanha produz o dulcíssimo xerez Pedro Ximenez.













