Nossa região, Nordeste do Brasil, é caracterizada por possuir apenas duas estações climáticas: estação chuvosa, quando pretensamente faz um pouco de frio e estação seca, sem chuva, quando faz um pouco mais de calor. Estamos entrando nesta segunda fase. Época propícia ao consumo de vinhos brancos, embora, para mim, não haja correlação entre clima e a cor do vinho que se vai tomar. Neste nosso clima sempre calorento, vinho de qualquer cor é, toda vida, uma escolha acertada desde que combinando com o ambiente, a ocasião e harmonizando com os acepipes.
Há uma grande variedade de vinhos no mundo procedente das mais diversas regiões e das mais variadas cepas: tintos brancos e rosados; espumantes e tranqüilos; secos e doces, estes últimos podendo ser Botritizados ou Colheita Tardia; fortificados, como os Portos ou Madeiras; etc. Em cada uma destas variedades há vinhos péssimos e vinhos fantásticos. Tudo se resume em saber escolher. O que não é uma tarefa fácil, considerando a grande variedade de ofertas existente no mercado, as propagandas enganosas e principalmente a influência maléfica dos julgamentos e conceitos tendenciosos, encomendados a alguns experts pelos que apenas querem vender, sem se preocupar com a satisfação e prazer do consumidor final..
Mas, para que se possa usufruir o máximo de prazeres que um branco pode lhe oferecer, é preciso que se obedeçam pelo menos duas regrinhas elementares sobre temperatura e idade mas, muito importantes:
* Os vinhos brancos devem ser tomados numa temperatura mais baixa que os tintos, mas, não muito gelados. Vinho branco não é cerveja. Os brancos são permeados por uma variedade e riqueza de aromas e sabores, que passam desapercebidos quando são servidos muito gelados. Para aproveitar toda a potencialidade de prazeres que um branco pode lhe oferecer, sirva os mais leves e simples numa temperatura perto dos 10oC e os mais encorpados e complexos perto dos 13oC.
* Os brancos mais leves, mais simples, que normalmente são os mais baratos, devem ser degustados com pouca idade. Preferencialmente de safras não mais antigas do que 4 anos, o que hoje corresponderiam, no máximo aos produzidos de 2004 para cá, pois eles envelhecem muito rapidamente, principalmente em nosso clima quente, perdendo suas qualidades organolépticas. Cuidado que os vinhos brancos produzidos em anos anteriores poderão estar deteriorados. Mas, infelizmente, devido à ganância dos negociantes e outros fatores meramente comerciais, estes vinhos brancos mais antigos se encontram nas prateleiras das lojas e supermercados, ofertados aos consumidores incautos e desavisados que, atraídos pelos preços convidativos, poderão sofrer uma grande decepção ao consumi-los.
O lugar mais apropriado para se degustar qualquer vinho é na mesa. Principalmente quando acompanha um prato com o qual sua harmonização é perfeita. E, neste caso, os brancos têm muito mais possibilidades que quaisquer outros tipos de vinhos. São muito mais versáteis. Um grande branco acompanha um prato suculento, principalmente quando elaborado com seu peixe favorito envolvido em um molho encorpado. Mas, também vão bem com pratos de carne.
Outro dia, juntamente com alguns amigos, ousamos harmonizar uma feijoada, prato elaborado com os mais diversos tipos de carnes vermelhas de sabores intensos, muito bem feita por sinal, com um Chardonnay Montes Alpha. Vinho branco chileno complexo de excelente qualidade, somente o preço é que não é muito convidativo. Qual não foi nossa surpresa. Ficou uma combinação divina.
Desejo que todos, depois de algumas tentativas, num processo contínuo de erros e acertos, consigam atingir estes prazeres incomensuráveis de harmonizações perfeitas entre brancos e os mais diversos pratos, compartilhando-os com amigas e amigos.
Saudações vínicas
Fonte: O POVO Online – CE