Vinho em lata chega às prateleiras
O charme de usar o saca-rolhas pode ficar comprometido, mas os mais descolados agora podem se surpreender com novidades que estão chegando em supermercados e casas especializadas em bebidas. Já há de vinhos a conhaques vendidos em latas. Água de coco, chope de vinho e cachaça também foram enlatados e começam a ganhar público fiel no país. O novo formato, em um primeiro momento, intriga. Mas o consumo é certo, nem que seja para experimentar. “Nunca tomei um vinho em lata. É meio estranho. Fico com o pé atrás. Mas assim que chegar aqui quero experimentar. Tudo é uma questão de teste”, afirma Cláudia Ferrari, proprietária do Buffet Flambar e diretora da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho. “Espaço para bebidas em lata deve ter. A dúvida só é se haverá aceitação”, observa.
Envasar bebidas diferentes em latas é uma prática recente tanto no país como no mundo. A pioneira no lançamento de um vinho em lata é a vinícola Cavas Hill, da Espanha. Há opções de 250ml nas versões branco e tinto. A gerente da área de exportações da empresa, Inés Oro, garante que a qualidade não ficou comprometida. “É um bom vinho. O envase diferente nos permite abrir novas formas de consumo. Dá para beber em boates, barcos e até em picnics”, observa.
No país, o que já existe é a produção de vinhos enlatados gaseificados, conhecidos como chopes de vinhos. A vinícola Góes, por exemplo, lançou, há três anos o Grape Cool, que já é vendido em Curitiba e São Paulo, por exemplo, e agora começa a chegar a Minas Gerais. Há um ano e meio, a Alpha Vinhos desenvolveu o Autêntico, que também é um chope de vinho em lata que passa a ser distribuído no mercado mineiro até o fim do mês. “No início, a intenção era servir apenas em chopeiras, mas posteriormente verificamos a boa aceitação e registramos muitos pedidos para levar para casa. Por isso, decidimos apostar na lata”, afirma o diretor-comercial da Vinícola Góes, Edson Antônio de Camargo.
A diretora-executiva da MBI Marketing, Martha Bordin, consultora do mercado de bebidas e responde pelas estratégias de marketing da Alpha Vinhos, explica que o Autêntico é um vinho gaseificado que também é oferecido em latas aos clientes. “Existe uma máxima de que vinho tem de ser servido na garrafa e que chope tem de ser do barril, mas observamos que há espaço para novidades”, afirma. Segundo ela, jovens, entre 20 e 35 anos são os que mais apreciam a bebida. “Mulheres também gostam muito”, afirma. O preço sugerido para a lata de 350ml do Autêntico varia de R$ 3,50 a R$ 4.
O presidente da Lokococo, Frederico Meschmark, garante que foram os primeiros a lançar a água de coco enlatada, há dois anos. “Tínhamos prejuízos com as caixinhas tetra pak, que furavam”, diz. Ele garante que a opção em lata é um sucesso. Tanto que as vendas crescem 10% ao ano. A Cia. Müller também já enlata o conhaque Domus e a 51, nas versões de cachaça e ice. O diretor-comercial da Rexam, uma das maiores fabricantes de latas do mundo, Renato Estevão, conta que o consumo de bebidas nesse tipo de embalagem cresceu 13,5%, em 2007, no país. Foram vendidas 12,2 bilhões de unidades. Até então, as cervejas e os energéticos são as bebidas mais vendidas em latas. Mas outras bebidas começam a ganhar espaço. No caso da cachaça, por exemplo, 8,6% da produção industrializada do país já é enlatada. Atualmente a Rexam produz latas para as cachaças Pitú, Caninha 51 (350ml e 473ml), Cachaça dos Sertões e Paturi. Na Argentina e no Chile, produz latas para vinhos.
Fonte: UAI