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	<title>Mundo dos Vinhos &#187; Entrevistas</title>
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	<description>Todas dicas sobre Vinhos e Enologia</description>
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		<item>
		<title>A mestra dos tintos e brancos</title>
		<link>http://www.mundodosvinhos.com/2008/08/03/a-mestra-dos-tintos-e-brancos/</link>
		<comments>http://www.mundodosvinhos.com/2008/08/03/a-mestra-dos-tintos-e-brancos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 01:28:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Enologa]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[(function() { var po = document.createElement('script'); po.type = 'text/javascript'; po.async = true; po.src = 'https://apis.google.com/js/plusone.js'; var s = document.getElementsByTagName('script')[0]; s.parentNode.insertBefore(po, s); })();Tweet Matt Prince Jancis: &#8220;A complexidade do vinho é uma qualidade. Tanto que o problema dos vinhos baratos é que são simples demais.&#8221; A inglesa Jancis Robinson, 58 anos, é uma das mais maiores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style=""><div style="display:inline;"><g:plusone size="medium" href="http://www.mundodosvinhos.com/2008/08/03/a-mestra-dos-tintos-e-brancos/"></g:plusone><script type="text/javascript">(function() { var po = document.createElement('script'); po.type = 'text/javascript'; po.async = true; po.src = 'https://apis.google.com/js/plusone.js'; var s = document.getElementsByTagName('script')[0]; s.parentNode.insertBefore(po, s); })();</script></div><div style="display:inline;"><a href="http://twitter.com/share?url=http%3A%2F%2Fwww.mundodosvinhos.com%2F2008%2F08%2F03%2Fa-mestra-dos-tintos-e-brancos%2F" class="twitter-share-button" data-count="horizontal">Tweet</a><script type="text/javascript" src="http://platform.twitter.com/widgets.js"></script></div><div style="display:inline;"><iframe src="http://www.facebook.com/plugins/like.php?href=http%3A%2F%2Fwww.mundodosvinhos.com%2F2008%2F08%2F03%2Fa-mestra-dos-tintos-e-brancos%2F&amp;send=false&amp;layout=button_count&amp;width=120&amp;show_faces=false&amp;action=like&amp;colorscheme=light&amp;font&amp;height=21" scrolling="no" frameborder="0" style="border:none; overflow:hidden; width:120px; height:21px;" allowTransparency="true"></iframe></div></div><table border="0" cellspacing="3" cellpadding="2" width="238" align="right">
<tbody>
<tr>
<td width="350"><span class="revistasCredito">Matt Prince</span><br />
<img src="http://veja.abril.com.br/entrevistas/imagens/jancis2.jpg" border="1" alt="jancis2 A mestra dos tintos e brancos" vspace="1" width="238" height="330" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
<tr>
<td class="revistasLegenda">Jancis: &#8220;A complexidade do vinho                        é uma qualidade. Tanto que o problema dos vinhos baratos                        é que são simples demais.&#8221;</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p class="revistasCorpo">
A inglesa Jancis Robinson, 58 anos, é uma das mais maiores                    autoridades de vinho do mundo — o que causa espanto especialmente                    por se tratar de um meio em que os homens são imensa                    maioria. Filósofa por formação, começou                    a se interessar por enologia há cerca de trinta anos,                    quando a apreciação da bebida ainda era considerada,                    por muitos, uma frivolidade. Jancis foi a primeira especialista                    fora do círculo de vinicultores a receber, em 1984, o                    título de <em>Master of Wine, </em>o respeitado e exigente                    teste de qualificação que avalia o conhecimento                    teórico e prático sobre vinhos. É autora                    de livros importantes, entre eles o <em>The World Atlas of Wine,</em> em parceria com o crítico Hugh Johnson <em>(<a href="http://veja.abril.com.br/entrevistas/hugh_johnson.shtml" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">leia                    entrevista</span></a>),</em> com tradução prevista                    para novembro deste ano pela Nova Fronteira. Jancis mantém,                    ainda, desde 1989, uma coluna sobre o tema no jornal londrino<em> Financial Times</em> e atualizações freqüentes                    em seu <a href="http://www.jancisrobinson.com/" target="_blank"><span style="text-decoration: underline;">site</span></a>.                    Como palestrante, percorre o mundo, convidada para degustações                    e avaliações de rótulos. &#8220;O vinho está                    na moda, é símbolo de status, cultura e sofisticação&#8221;, diz.                    Por seu rigor técnico, foi escolhida consultora oficial da adega                    do Palácio de Buckingham, em Londres, onde vive a rainha Elizabeth                    II. Jancis Robinson falou com a repórter Paula Neiva, com exclusividade                    para a VEJA.com, sobre a adega da rainha, o debate que teve                    com o megacrítico Robert Parker, e ainda analisa as conseqüências                    das mudanças climáticas nos vinhedos e conta o que achou dos                    vinhos nacionais que provou.</p>
<p><strong><span class="revistasCorpoBold">Veja -<em> </em></span></strong><em><span class="revistasCorpo">A                    nova edição do Atlas Mundial do Vinho está                    prevista para ser lançada no Brasil ainda este ano. Quais                    são as novidades?</span></em><span class="revistasCorpo"><br />
</span><span class="revistasCorpo"><strong>Jancis – </strong> A questão                    das mudanças climáticas agora está presente                    em praticamente todas as páginas da nova edição.                    Afinal, o clima fez com que a Alemanha produzisse vinhos secos                    mais maduros e o Canadá elaborasse bons tintos. Já                    a Austrália sofre uma terrível seca. A nova edição,                    que, por sinal, é a maior edição de todos                    os tempos, dá mais atenção a regiões                    como a América do Sul e a Califórnia e traz novos                    mapas da Espanha, Austrália, Nova Zelândia, África                    do Sul e Grécia, entre outros. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong class="revistasCorpoBold">Veja                    &#8211; </strong><em>A senhora é consultora da adega da rainha Elizabeth                    II, da Inglaterra. Qual o vinho preferido de sua majestade?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Nunca fiz essa pergunta a ela. A julgar pela adega                    do palácio de Buckingham, seu gosto é bem tradicional.                    Os vinhos mais representativos são bordeaux tintos, como                    Château Léoville Barton e Château Lynch-Bages.                    Há também muitas garrafas de borgonhas brancos                    e champanhe. Muito champagne.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong class="revistasCorpoBold">Veja                    – </strong><em>Que marcas de champagne?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> No casamento do príncipe Charles                    com Camilla Parker Bowels, a adega estava lotada de garrafas                    de champagne Pol Roger.</span></p>
<table border="0" cellspacing="12" cellpadding="0" width="200" align="right">
<tbody>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<div><span class="geralSubTitulo">&#8220;O                          aquecimento global ainda não causou problemas a Bordeaux,                          apesar de deixar as safras mais previsíveis, mas acredito                          que, em poucos anos, o calor<br />
irá castigar algumas safras de lá.&#8221;</span></div>
</td>
</tr>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Não é                    um champagne de primeiríssima linha, como seria de se                    esperar num casamento real&#8230;</em><br />
<strong> </strong> <strong>Jancis – </strong> A família real não                    gasta muito nas recepções que oferece, para evitar                    críticas de que está desperdiçando dinheiro.                    Nas recepções maiores, para até 300 pessoas,                    costuma-se servir vinhos em torno de 6 libras por garrafa, como                    um tinto da Côtes du Rhône<span style="color: #ff0000;">, </span>da França, ou um sauvignon blanc da Nova Zelândia. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>Quais  países                    com tradição recente na produção                    vinícola já têm vinhos de boa qualidade?</em><br />
</span><span class="revistasCorpo">Jancis &#8211; A Áustria                    e a Grécia evoluíram muito nos últimos                    dez anos e conseguiram mudar de imagem no mercado internacional.                    Os vinhos brancos austríacos ganharam fãs no mundo                    inteiro e os tintos já começam a fazer história.                    A Austrália já exporta mais vinho para a Inglaterra                    do que a França. Já a Nova Zelândia, apesar                    da produção restrita, apresenta bons sauvignon                    blancs e pinot noirs, enquanto os da África do Sul têm                    uma das melhores relações custo-benefício                    do mundo. Também vale a pena citar a Alemanha, que já                    fazia ótimos vinhos, mas promoveu uma verdadeira revolução                    em estilo e qualidade, especialmente no que se refere aos brancos                    secos. No caso da Alemanha, boa parte dessa evolução                    se deve ao aquecimento global.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>Os produtores                    tradicionais, porém, estão preocupados com as                    mudanças climáticas&#8230;</em><br />
</span><span class="revistasCorpo"><strong>Jancis – </strong> É                    verdade. Já houve prejuízos em 2003, quando uma                    onda de calor intenso invadiu a Europa. Os vinhos  franceses                    da Borgonha, por exemplo, que usam uvas sensíveis                    ao calor, sofreram muito. O aquecimento global ainda não                    causou problemas a Bordeaux, apesar de deixar as safras mais                    previsíveis, mas acredito que, em poucos anos, o calor                    irá castigar algumas safras de lá. Em contrapartida,                    é possível que o aquecimento global produza vinhos                    brancos mais atraentes em determinadas localidades. Também                    veremos mais produtos que substituem uvas conhecidas, como cabernet                    sauvignon e chardonnay, por variedades com características                    locais.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; <span class="revistasCorpo"><em>O</em></span></strong><em><span class="revistasCorpo"><strong class="revistasCorpo"> aumento da temperatura poderá inviabilizar a produção                    de alguns vinhos?</strong></span></em><strong><br />
</strong></span><span class="revistasCorpo"><strong>Jancis – </strong> Sim, é possível. Mas por outro lado essas mudanças                    podem melhorar as safras em outras áreas do mundo. Além                    da Alemanha, as regiões mais beneficiadas seriam a Califórnia                    e o Chile, pois se as temperaturas no interior do continente                    continuarem a subir, o clima na costa do Pacífico tende                    a ficar mais fresco. Com isso, os vinhos poderiam melhorar. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja -<em> </em></strong><em>Quais países                    têm chances de entrar para a lista dos bons produtores                    nos próximos anos?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> Minha aposta são países do                    leste europeu, como Eslovênia e Hungria, além de                    Uruguai e México. E, é claro, a China, que já                    tem a sexta maior indústria de vinhos do mundo. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja -</strong></span><span class="revistasCorpo"><strong> </strong><em>O interesse pelo vinho aumentou vertiginosamente em países                    sem grande tradição em seu consumo, como o Brasil.                    Por que isso aconteceu?</em><br />
</span><span class="revistasCorpo"><strong>Jancis – </strong> Quando saí                    de Universidade Oxford, em 1971, não ousava dizer que                    me interessava por vinho e comida, pois esses eram temas considerados                    demasiadamente frívolos. Isso mudou radicalmente. O vinho                    está na moda e, além disso, passou a ser um símbolo                    de status, cultura e sofisticação.</span></p>
<table border="0" cellspacing="12" cellpadding="0" width="200" align="right">
<tbody>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<div><span class="geralSubTitulo">&#8220;Os                          espumantes (brasileiros), de maneira geral, são bem-feitos,                          com bolhas pequenas e persistentes, embora sem muita complexidade.&#8221;</span></div>
</td>
</tr>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>O que a senhora                    acha dos vinhos brasileiros?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Há cerca de cinco anos, quando visitei                    pela primeira vez o Brasil, provei vinhos do Vale do São                    Francisco, que me surpreenderam positivamente, considerando                    que essa é uma região quente e que oferece mais                    de uma colheita por ano. Já tinha provado outros vinhos                    brasileiros e lembro que alguns deles tinham gosto ralo e, em                    outros, a fruta parecia dominada pelo gosto do carvalho, o que                    não é bom. Em degustações mais recentes                    de vinhos brasileiros, essa percepção ocorreu                    com menor freqüência. No ano passado,<span style="color: #000080;"> </span>minha assistente degustou um Salton Talento 2004 e alguns                    brancos da Villa Francioni que lhe deixaram uma ótima                    impressão. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>O que melhorou                    nos vinhos brasileiros?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> A fruta está mais apropriada e o                    aroma melhorou. Ainda assim, o gosto não permanece muito                    tempo na boca. Talvez por alguns serem muito jovens ou provenientes                    de regiões úmidas. Provei apenas três vinhos                    brancos. O Villa Francioni sauvignon blanc 2006 é muito                    bom. O Casa Valduga gewurztraminer 2007 e o Cavallieri chadornnay                    2006 também são bons. Embora não sejam                    excepcionais, têm cor e sabor característicos da                    fruta. Os espumantes, de maneira geral, são bem-feitos,                    com bolhas pequenas e persistentes, embora sem muita complexidade. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja -<span style="color: #000080;"> </span></strong><em>O que a senhora acha do vinho português?</em><br />
<strong> </strong><strong>Jancis – </strong> Sou uma grande partidária dos                    vinhos portugueses. Eles têm características muito                    peculiares, graças às uvas características                    do país, como a touriga nacional. Graças à                    proximidade das regiões vinícolas portuguesas                    com o oceano Atlântico, os vinhos têm bons níveis                    de acidez e de taninos e não são muito doces.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>Alguns críticos                    dizem que os vinhos hoje têm tantos aromas e sabores –                    ou &#8220;notas&#8221;, como se diz no jargão – numa única                    garrafa que fica difícil combiná-los com pratos                    elaborados. A senhora concorda?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Não. Acho que a complexidade do vinho é                    uma qualidade. Tanto que o problema dos vinhos baratos é                    que são simples demais. Talvez o que esteja acontecendo                    seja um exagero na busca de uma combinação perfeita.                    A imperfeição, nesse caso, também pode                    trazer prazer à mesa. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Não há                    um pouco de exagero em apontar incontáveis aromas e gostos                    num vinho?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Existe um certo exagero, sim. Eu mesma não                    costumo incluir uma lista longa de aromas em minhas análises.                    Primeiro, porque acho que as pessoas podem ter percepções                    diferentes sobre um mesmo vinho. Depois, porque acredito que                    seja completamente inútil esse tipo de informação.                    Afinal, ninguém vai acordar um dia, dizendo que está                    com vontade de beber um vinho com gosto de mel e <span style="color: #000080;">pétalas                    de ros</span>a.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Vale                    a pena pagar  inacreditáveis 8 000                    reais por uma garrafa de um rótulo famoso?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> Assim como com acontece com as antigüidades                    e as peças de arte, não há como justificar                    racionalmente um preço desses. Claro que esse valor não                    significa que o vinho oferecerá 100 vezes mais prazer                    que um de 80.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Uma garrafa dessas                    vende mais pelo status que o rótulo oferece do que pelo                    vinho em si?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Exatamente.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Hoje o vinho se                    tornou um investimento. Muita gente compra garrafas para revendê-las                    daqui a 20 ou 30 anos. Quais rótulos darão lucro                    no futuro?</em><strong><br />
Jancis – </strong> Embora seja colunista de um jornal especializado                    em finanças<span style="color: #000080;">, o </span><em>Financial                    Times,</em> tenho que admitir que não me interesso muito                    pelo viés econômico do vinho. Para minha insatisfação,                    porém, vejo que esse tópico se tornou muito importante,                    já que o preço dos vinhos mais renomados não                    pára de subir. Hoje existem até fundos de investimento                    especializados em vinhos. Diria que os tintos de Bordeaux de                    primeira linha, de safras como as de 2005, 2004, 2000 e alguns                    de 2001 são boas opções. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Os críticos                    de vinho costumam ser homens. O fato de ser mulher a atrapalha                    na profissão</em>?<strong><br />
Jancis – </strong> Está provado que o paladar feminino é                    mais sensível que o do homem. A diferença entre                    eles e nós é que não costumamos alardear                    nossas opiniões. Ainda hoje, apesar de ser respeitada,                    tenho que trabalhar um pouco mais duro que eles para desfazer                    a mentalidade de vestiário masculino de clube que existe                    no meio dos vinhos. Para os homens, existe uma correspondência                    entre o mundo do vinho e o esportivo. A sociedade espera que                    o homem entenda de vinho e isso acaba por pressioná-lo,                    modificando a relação que ele tem com a bebida.                    Eles são competitivos, gostam de se gabar por terem provado                    um determinado vinho que obteve nota máxima ou precisam                    mostrar que sabem mais que o outro. Acho as mulheres mais relaxadas                    nesse sentido, mais focadas em sentir o prazer que a bebida                    proporciona. Essa pode ser a razão que leva algumas pessoas                    a pensar que os vinhos de que eu gosto não são                    tão concentrados ou fortes. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>O que                    a senhora acha da substituição da tradicional                    rolha de cortiça pela tampa de rosca  <em>(screw                    cap)</em>?</em><strong><br />
Jancis – </strong> A tampa de rosca é prática, mas                    nada charmosa. Custo a acreditar que esse seja o limite em termos                    de design. Acho que a tampa de rosca influencia, sim, o gosto.                    Pode até melhorar a qualidade de alguns vinhos brancos,                    tornando-os mais precisos, frutados e frescos. Mas não                    se provou ainda se podem ser usadas em tintos para envelhecimento. </span></p>
<table border="0" cellspacing="12" cellpadding="0" width="200" align="right">
<tbody>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
<tr>
<td>
<div><span class="geralSubTitulo">&#8220;Não                          existe certo e errado na apreciação de um vinho. Todos                          têm preferências individuais e sensibilidades diferentes.&#8221;</span></div>
</td>
</tr>
<tr bgcolor="#cccccc">
<td><img src="http://veja.abril.com.br/veja_online_2006/imagens/pix.gif" alt="pix A mestra dos tintos e brancos" width="1" height="1" title="A mestra dos tintos e brancos" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>Para quem não                    é especialista em vinho, quais as regras básicas                    para não levar gato por lebre?</em><br />
</span><span class="revistasCorpo"><strong>Jancis – </strong> A lógica                    é a mesma de uma livraria: encontre um bom vendedor e                    explique o seu gosto. Aliás, há muitos paralelos                    entre livros e vinhos. Para ambos, o autor, a empresa que o                    produz e a propaganda boca-a-boca contam muito. Além,                    claro, do gosto de cada um. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>A assinatura                    de uma vinícola no rótulo é um indicativo                    da qualidade do vinho?</em><strong><br />
Jancis – </strong> É o fator número um. Os melhores                    produtores se desfazem do estoque quando acreditam que o vinho                    não saiu à altura do nome da vinícola. </span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja – </strong><em>Há quatro                    anos, a senhora deu uma nota baixíssima a um vinho bem                    avaliado por outro crítico respeitado  — e controverso                    — , o americano Robert Parker. Afinal, chegou-se à conclusão                    de quem estava certo?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> A verdade é que não existe                    certo e errado na apreciação de um vinho. Todos                    têm preferências individuais e sensibilidades diferentes.                    Portanto, uma discordância não surpreende, principalmente                    quando se trata de um Chatêau Pavie 2003, que levou ao                    extremo sua maturidade e o nível de tanino. Recentemente,                    voltei a prová-lo e mantive minha opinião. Tenho                    certeza de que Parker manteve a dele.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>O que significa                    o fato de dois juízes respeitados terem opiniões                    opostas sobre o mesmo vinho?</em><strong><br />
</strong><strong>Jancis – </strong> Que a análise de vinho é                    pessoal. Por isso, acho que reduzir um vinho a uma nota é                    tolo, ilusório. Vou dar um exemplo. Um júri profissional                    como o Grand Jury European que, como se sabe  no meio ,                    é mais favorável a vinhos modernos, divulgou um                    ranking onde o Château Pavie 2003 estava mal colocado.                    O mesmo vinho, ao ser avaliado por um grupo de profissionais                    ingleses, ficou numa posição intermediária.</span></p>
<p><span class="revistasCorpo"><strong>Veja &#8211; </strong><em>Se a senhora pudesse                    eleger apenas um grande vinho, qual seria ele?</em><br />
<strong> </strong><strong>Jancis – </strong> Um vinho madeira Cossart Bual da safra                    de 1908 (U$ 824,00 no site <a href="http://www.wyliefinewines.co.uk/wines/madeira.htm" target="_blank"><em><span style="text-decoration: underline;">Peter                    Wylie Fine Wines</span></em></a>) seria uma ótima opção. </span></p>
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