Mundo dos Vinhos
Todas dicas sobre Vinhos e Enologia
10
mai

Rio sediará a 1ª Jornada Internacional do Vinho

Postado em Dicas, Eventos  por Marcelo Sem Comentários

Este ano o Rio de Janeiro vai sediar a 1ª Jornada Internacional do Vinho, um misto de festival cultural e feira setorial voltado para profissionais e todos os interessados em vinho. A jornada, que acontece entre os dias 8 e 11 de agosto, deve reunir 9 mil visitantes nos quatro dias.

O ingresso para o público externo será de R$ 25. Já para sommeliers, restaurateurs, distribuidores, varejistas, estudantes de eno-gastronomia e consultores a entrada será franca. Os estandes de expositores reunirão produtores, associações, importadoras e grandes marcas. Haverá também workshops, alguns exclusivamente para profissionais e outros também para o público, com palestrantes de renome internacional.

O último dia do evento coincide com o primeiro dia a 50ª edição do Conotel (Congresso Nacional de Hotelaria), que após anos volta a ser realizado no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 13 de agosto. Os dois eventos serão realizados no Centro de Convenções Sulamérica e os participantes de ambos poderão se beneficiar com a troca de informações e da oportunidade de conhecerem um pouco mais os mercados.

Mais informações: (21) 2178-2315 ou www.escalaeventos.com.br

Fonte: Folha do Turismo

4
mai

Como encarar o sommelier

Postado em Curiosidades, Dicas, Histórias  por Marcelo Sem Comentários

Por Suzana Barelli

EXAME Nessa noite, ele quer impressionar. O romântico jantar foi marcado com semanas de antecedência num dos melhores restaurantes da cidade. Couvert? Claro. Uma taça de espumante? Por que não? Tudo vai nos conformes até que chega a temida hora: o sorridente sommelier inicia sua abordagem, entrega uma imensa carta de vinhos, com mais de 1 000 rótulos, e aguarda pacientemente uma decisão. Os minutos começam a passar lentamente. Perdido entre tantas opções, sem saber se pedir um vinho barato é uma vergonha, temendo que um rótulo caro demais coloque a conta no vermelho, há quem sue frio e lamente em segredo não poder pedir o bom e velho uísque. A saída encontrada por muitos é simplesmente apontar rapidamente para o primeiro nome conhecido da carta. “Muitos vêem o sommelier como inimigo, aquele que está lá para empurrar um vinho caríssimo”, diz Manoel Beato, responsável pelos vinhos do grupo Fasano. “Embora esse tipo exista, a função do sommelier é ajudar, não aterrorizar.”

A solução para o impasse é tornar o sommelier um aliado. Responsável pelo serviço das bebidas, ele conhece — ao menos teoricamente — todos os rótulos listados ali e sabe como harmonizá-los com as receitas da casa. O primeiro passo para ter o sommelier a seu lado é afinar a linguagem. O mundo do vinho tem um vocabulário próprio, peculiar. Suave, por exemplo, é uma bebida doce, com açúcar residual, e não um vinho levinho, como muitos imaginam. Frutado, para o sommelier, é uma bebida mais perfumada, como aquelas elaboradas com as uvas gewürztraminer e moscato. “Às vezes, o consumidor pede um vinho leve, mas quer um tinto redondo, macio e, principalmente, encorpado”, diz Beato. “É preciso traduzir o cliente.” Ou, mais precisamente, traduzir o sommelier.

Embora as características do vinho sejam importantes para definir o que vai acompanhar o jantar, o que atormenta a cabeça dos comensais é, quase sempre, o preço. O medo é passar vexame caso o sommelier indique um vinho fora do alcance do bolso. Como ninguém gosta de bradar quanto está disposto a pagar, os mais experientes recomendam o uso de frases cifradas que passem o recado. Comentários sobre suas preferências pessoais ajudam. Podem ser informações simples, como “tomei um Valpolicella que me agradou” ou “aprecio vinhos da Borgonha, como o Romanée-Conti”. No primeiro caso, a mensagem é que o consumidor quer um vinho tinto de corpo médio e não está disposto a gastar mais que 70 ou 80 reais na garrafa. No segundo, o comensal está preocupado com o rótulo, quer tomar um dos grandes vinhos da carta e não liga para o preço (a safra 2001 do Romanée-Conti está à venda nas importadoras no Brasil por 8 900 reais a garrafa). “Outra dica é escolher por país: se é um jantar mais simples, peço um chileno ou argentino, sempre mais baratos. Caso contrário, procuro entre os franceses”, afirma Joseph Tutundjian, presidente da Winner Comércio Internacional. São formas indiretas de definir o preço de um vinho sem ter de falar abertamente, à mesa, quanto quer gastar.

Seria simples, mas o fato é que há, realmente, grande número de malandros espalhados pelos restaurantes do país — que tiram proveito da insegurança dos incautos para lucrar um pouco mais. “Muitos profissionais não respeitam as regras mais básicas”, diz Manuel Luz, coordenador do curso de sommelier profissional da Associação Brasileira de Sommeliers. Ele próprio uma vez foi surpreendido pelo preço de uma dose de vinho do Porto cobrado na conta. “Pedi uma taça para acompanhar a sobremesa e não olhei o preço”, afirma. O profissional serviu uma taça de um Porto 30 anos que custava mais que todos os pratos da casa. O normal, nesses casos, é servir uma taça de Porto Ruby, mais acessível. “Exemplos como esse infelizmente contribuem para a lenda de que o sommelier quer empurrar o vinho mais caro”, diz Luz.

SOMMELIER À PROVA
Os especialistas indicam alguns cuidados para manter a guarda alta. “Peça sempre mais de uma opção ao sommelier e preste atenção se ele coloca maior ênfase na garrafa mais cara ou na mais barata”, afirma Hélio Duarte, diretor executivo de relações institucionais do HSBC e consumidor de vinho para lá de exigente. Duarte também desconfia quando o profissional insinua que a bebida escolhida não combina com o menu e sugere outra garrafa numa faixa de preço mais alta. Ou insiste muito num vinho específico — pode ser um sinal de que ele está querendo forçar a barra.

Há outras maneiras de testar o sommelier. Antes de ir ao restaurante, o cliente pode preparar algumas perguntas específicas (para as quais saiba as respostas, claro). Se o profissional souber responder, bom sinal. O comensal também pode pedir pratos para os quais já conhece a harmonização com o vinho e solicitar uma sugestão para conferir a capacidade do sommelier. Se ele passar na prova, começa a merecer a confiança do cliente. No entanto, se o profissional aproveitar a deixa para exibir seus supostos conhecimentos, dizendo que um vinho é mais amadeirado ou fez a fermentação malolática em barricas, cuidado. Pode ser a maior roubada. Em situações como essas, não se incomode em ignorar a recomendação do sujeito. Afinal, quem vai pagar a conta é você.

1
mai

A escolha nos jantares de negócios

Postado em Combinação, Dicas  por Marcelo Sem Comentários

EXAME

Em poucos momentos a definição sobre qual vinho escolher é tão complicada quanto nos almoços e jantares de negócios. Coadjuvante importante, a garrafa não pode roubar a cena, mas também não pode passar despercebida. É um rótulo mais difícil de ser escolhido, mas o anfitrião não deve perder muito tempo na definição de qual branco ou tinto pedir e, menos ainda, indicar quanto quer gastar na frente de seu convidado. “Cada vez mais clientes me ligam antes para definir o vinho”, afirma Manoel Beato, do Fasano, em São Paulo. Pelo telefone, há mais tempo para pensar nas alternativas e analisar os rótulos disponíveis na carta. E, principalmente, é mais fácil informar sem rodeios quanto se está disposto a pagar. Há quem prefira pedir para enviar a carta de vinhos por fax para estudá-la com calma. Mas isso ainda é uma raridade entre os clientes brasileiros.

Combinado com antecedência, o serviço de vinho ganha em qualidade. Há rótulos que pedem a decantação antecipada, o que é impossível fazer quando o cliente já está à mesa. Nesses casos, o sommelier consegue se planejar e decantar o vinho antes, além de garantir que a bebida estará na temperatura correta e que tem garrafas suficientes para a ocasião. Outra saída é chegar 15 minutos antes dos convidados para conversar com o sommelier. Assim, quando o jantar começar, o anfitrião pode sugerir o vinho com segurança — e até dar ares de entendido. Responsável pela carta de A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, com seus 1 170 rótulos e quase 40 páginas, Fabiano Fernandes Aurélio conta que nesses casos seu conselho é um só: não pedir muitos rótulos e se concentrar em um ou dois vinhos, no máximo, para o jantar inteiro. “Vários vinhos diferentes tiram a atenção da conversa principal”, diz ele. E, para quem quer fechar negócio, nada pode ser pior.

21
abr

Universidade usa cegos para melhorar vinho na Espanha

Postado em Curiosidades, Notícias  por Marcelo Sem Comentários

Da BBC

A Universidade de La Rioja está usando cegos em um projeto que visa melhorar a qualidade do vinho produzido na tradicional região vinícola da Espanha.

De acordo com o professor de Enologia Gonzalo Gonzalo, os deficientes visuais conseguem detectar problemas de aroma e paladar mais cedo do que máquinas que usam processos químicos tradicionais.

Isso permite que as imperfeições do vinho seja corrigidas antes, melhorando o resultado final.

“Não é que os cegos tenham os sentidos mais desenvolvidos. O que acontece é que, ao ter que suprir a falta de um deles, eles acabam se concentrando mais nos outros”, disse à BBC Brasil Gonzalo, co-autor do projeto.

“Se você quiser se concentrar para ouvir uma música, por exemplo, fechando os olhos vai conseguir focar seus sentidos ali. Assim é como funcionam os sentidos dos deficientes”, completou o professor.

Por acaso

O método foi descoberto por acaso nos laboratórios da universidade, quando um professor convidou um amigo cego para um teste de vinhos.

Os pesquisadores notaram, então, que o cego definia os picos de intensidade de aroma de cada vinho antes e com mais detalhe do que os processadores convencionais.

Atualmente, duas turmas de cegos participam dos processos de avaliação das características do vinho.

“A intenção é que os cegos cheguem a elaborar vinhos baseando-se nos processos químicos combinados com seus instintos”, explicou Gonzalo.

Os pesquisadores também descobriram que mulheres cegas têm mais facilidade para as análises químicas dos vinhos, por terem o olfato mais aguçado do que os homens, sobretudo em em dias de ovulação e durante a gravidez.

15
abr

Vinhos orgânicos livres de substâncias químicas

Postado em Características, Dicas  por Marcelo Sem Comentários

Por Marcelo Onaga

EXAME O que uma garrafa de Romanée-Conti pode ter em comum com aqueles saquinhos estufados de rúcula que ficam à venda nos balcões refrigerados dos supermercados? Nada, responderá, com razão, quem pensar apenas em preço e sabor. Mas os consumidores que só comem frutas e verduras que nunca tiveram contato com substâncias químicas podem ficar felizes ao saber que um dos melhores vinhos do mundo é tão orgânico quanto as folhas de alface, chicória e acelga que eles adoram devorar. O Romanée-Conti é o mais célebre representante de um tipo de bebida que vem causando frisson entre os ecochatos: o vinho orgânico. Trata-se de uma classificação pouco utilizada até poucos anos atrás, mas que começou a ganhar força com a onda natureba que vem invadindo os mercados do mundo inteiro. A procura é tão grande que já surgiram na Europa lojas especializadas na comercialização dos vinhos ecochatos.

Os vinhos naturais entraram na moda nos últimos anos, principalmente na França. Atualmente, são consumidos cerca de 160 milhões de litros da bebida, o que representa 5% do total de 3,2 bilhões de litros vendidos por ano. Há cinco anos, a participação dos orgânicos não chegava a 2% do consumo total. “A divulgação dos produtos orgânicos como um todo e a conscientização das pessoas, que se preocupam mais com a saúde e com a preservação da natureza, foram decisivas para elevar o consumo de vinhos orgânicos”, diz Jean Pierre Amoreau, dono do Château Le Puy, que desde 1610 produz vinhos naturais. É da vinícola de Amoreau que sai o Barthélemy, um dos melhores vinhos naturais da França na opinião de especialistas. “É um vinho sem nenhuma adição de sulfito”, diz o consultor francês Jacques Trefois, um dos maiores especialistas no assunto. O sulfito, aliás, é uma espécie de satanás dos vinhos para um ecoenófilo. Segundo os críticos, essa substância, utilizada para ajudar a conservar o vinho, é a culpada pelas dores de cabeça que aparecem na manhã seguinte a uma noite de degustação de taças e mais taças de vinhos comuns. “Vinhos naturais não dão dor de cabeça. A ressaca é culpa do sulfito”, diz o cantor Ed Motta, assumidamente radical na defesa dos vinhos naturais. “Hoje em dia só bebo vinhos orgânicos da Borgonha.”

Mais sabor

A predileção de Ed Motta pelos naturais nada tem a ver com o cuidado com o corpo. O cantor é um dos entusiastas que tentam reproduzir no Brasil o sucesso que os vinhos orgânicos fazem na França. Ele é responsável, junto com o executivo Marcos Mikulis, pela nova carta de vinhos do Hotel Emiliano, de São Paulo. Parte dela terá vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais. “Os clientes começam a procurar produtos desse tipo e queremos mostrar o que há de melhor entre os vinhos”, diz Mikulis. Também o restaurante paulistano D.O.M., do premiado chef Alex Atala, começa a trabalhar com vinhos naturais. “É uma tendência. Os vinhos naturais são melhores que seus pares não-orgânicos”, diz Celso La Pastina, dono da World Wine, maior importadora de vinhos orgânicos do país. Por ter uma produtividade reduzida e um processo de fabricação quase artesanal, os vinhos orgânicos são mais caros do que seus similares não-orgânicos — chegam a custar o dobro de um vinho de qualidade equivalente. Muitas vezes, toda uma colheita é perdida porque pragas que não foram combatidas com agrotóxicos degustaram as uvas antes de elas virarem vinho.

Os fãs do produto dizem que vale a pena. “São vinhos feitos por gente preocupada não só com dinheiro mas também em espalhar um estilo de vida mais saudável”, diz Ed Motta. A classificação de orgânico, no entanto, não garante qualidade ao vinho. “Há orgânicos maravilhosos e outros que são intragáveis”, diz Veronique Raskin, fundadora da Organic Wine, uma das primeiras lojas de vinho orgânico da Califórnia. “O problema é que quem prova um orgânico de má qualidade acha que todos os vinhos do tipo são ruins.”

A classificação orgânica entre os vinhos é um pouco mais complexa que a usada entre verduras, frutas e legumes. Há três divisões: orgânicos simples, biodinâmicos e naturais. Os primeiros são vinhos que usam apenas uvas cultivadas sem nenhum agrotóxico, mas que podem ter substâncias químicas adicionadas durante o processo de produção da bebida (como o odiado sulfito). Os biodinâmicos são uma espécie de “orgânicos esotéricos”. Além de não utilizar química no plantio das uvas, os produtores respeitam o calendário lunar e fazem preparos com ervas, água da chuva e até chá de pêlos de rabo de cavalo e raspas de chifres de boi para borrifar nas parreiras. Mas, durante o processo de fabricação, a adição de compostos químicos também é permitida. Já os naturais são os xiitas, os mais radicais — e os mais desejados entre os ecoenófilos. O cultivo das uvas é feito com base nos preceitos orgânicos ou biodinâmicos. A grande diferença está no processo de fabricação. “Nada pode ser acrescentado. É um vinho totalmente natural que reflete toda a sua origem”, diz o consultor Trefois.

Tem até chifre de boi
Não basta ser livre de agrotóxicos para o vinho agradar aos enonaturistas mais radicais
Orgânicos
Feitos com uvas cultivadas de forma totalmente natural, sem inseticidas, pesticidas nem agrotóxicos. Mas permitem a adição de
substâncias químicas para conservação ou correção de sabor
Biodinâmicos
O cultivo das uvas também é totalmente livre de produtos químicos. Os produtores respeitam o calendário lunar e utilizam poções à base de ervas, água da chuva e até raspas de chifre de boi para borrifar nas parreiras
Naturais
São os melhores. Podem usar uvas produzidas de forma orgânica ou biodinâmica, mas os produtores não acrescentam nenhuma substância (química ou não) durante e depois do processo de fermentação

Claro, a ausência completa de conservante traz reflexos negativos (por exemplo, as lesmas que acompanham as folhas de alface orgânica). A maioria dos vinhos naturais não pode ser guardada por muito tempo, tampouco suporta ser deslocada por grandes distâncias. Qualquer variação de temperatura pode provocar uma nova fermentação — e, nesse caso, o melhor que se consegue é um vinagre para temperar a rúcula orgânica.

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